Nem a chuva forte conseguiu diminuir a temperatura do encontro de Ivete Sangalo com o Rock in Rio. A cantora abriu o Palco Mundo no domingo, 13 de setembro, último dia da edição de 2026, e conduziu o público por uma apresentação que misturou grandes sucessos, referências latinas, carnaval e a comunicação direta que se tornou uma de suas marcas. Foi a 20ª participação de Ivete no festival, considerando as edições realizadas no Brasil e fora do país.
A entrada já mostrou que o espetáculo queria ir além de uma simples sequência de músicas conhecidas. O palco começou com uma atmosfera de inspiração espanhola e depois ganhou um visual de deserto. No meio dessas mudanças, Ivete fez o que sabe: tratou o espaço gigantesco como se estivesse diante de uma plateia próxima. Conversou, brincou, desceu do palco e chamou o público para participar, mesmo quando a chuva apertou sobre a Cidade do Rock.
O repertório passeou por diferentes momentos da carreira. “Festa” e “Sorte Grande” apareceram em um medley, reforçando a força das canções que atravessaram décadas e continuam funcionando como convite imediato para cantar e dançar. A apresentação também trouxe “A Galera”, acompanhada de um trecho de “NUEVAYoL”, de Bad Bunny, além de “Corazón Partío”, sucesso de Alejandro Sanz. A combinação ajudou a sustentar o tom latino proposto pelo show.
Ivete não deixou de olhar para seus trabalhos mais recentes. “Macetando”, “Macetei”, “O Mundo Vai” e “Cria da Ivete” levaram ao festival a energia dos Carnavais dos últimos anos. Elementos que circulam nas redes sociais, como o Passinho do Jamal e a trend do 6-7, também entraram no espetáculo. Em vez de interromper o fluxo, essas referências foram incorporadas ao clima de festa e mostraram uma artista atenta à maneira como o público dança e se comunica hoje.
A chuva acabou servindo como parte da cena. A plateia permaneceu diante do Palco Mundo e respondeu aos comandos da cantora, que manteve o ritmo alto durante toda a apresentação. Para quem acompanha a história de Ivete no Rock in Rio, o show de 2026 ampliou uma relação antiga: ela voltou a ocupar o palco principal com repertório popular, presença física intensa e domínio de multidão.
Ao final, ficou a imagem de um festival encerrando sua programação brasileira com uma das vozes mais reconhecidas do país. Ivete atravessou pop, axé e carnaval sem perder a unidade do show. Entre coreografias, medleys e conversas com a plateia, transformou uma tarde chuvosa em uma celebração coletiva — exatamente o tipo de encontro que seus maiores sucessos aprenderam a provocar.