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Stevie Wonder recebe Lenny Kravitz para cantar “Superstition” em Paris

Guitarrista apareceu de surpresa no encerramento de um show de quase três horas que celebra os 50 anos do álbum “Songs in the Key of Life”.

Por Conteúdo · 3 min de leitura

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Foto: Reprodução TIKTOK Lenny Kravitz
Stevie Wonder guardou uma surpresa de peso para o fim de seu show em Paris. Na noite de quinta-feira, 15 de outubro, o cantor chamou Lenny Kravitz ao palco da Accor Arena e transformou “Superstition” em um encontro entre duas gerações que ajudaram a manter o soul, o funk e o rock no centro da música popular. Kravitz assumiu a guitarra, Wonder conduziu a canção e a parceria encerrou a apresentação em clima de festa.

O momento ganhou força justamente porque não foi tratado como um número isolado. Ele chegou depois de um espetáculo de quase três horas, montado para celebrar os 50 anos de “Songs in the Key of Life”, álbum lançado em 1976 e reconhecido como um dos trabalhos centrais da discografia de Stevie Wonder. Uma grande formação de músicos e backing vocals acompanhou o artista, recuperando a riqueza de arranjos que tornou o disco uma referência para cantores, compositores e produtores de diferentes estilos.

Embora “Superstition” não faça parte desse álbum — a faixa saiu em 1972, no disco “Talking Book” —, ela funciona como uma síntese perfeita da linguagem de Wonder. O riff imediatamente reconhecível, a pulsação dançante e a interpretação vocal cheia de dinâmica atravessaram décadas sem perder impacto. A entrada de Kravitz acrescentou uma guitarra mais marcada à performance e aproximou ainda mais a canção do rock, território que ele explora desde o começo da própria carreira.

Para o público presente, a aparição inesperada também trouxe a sensação de assistir a uma conversa musical, não apenas a uma participação protocolar. Kravitz acompanhou Wonder sem disputar o centro do palco, reforçando o ritmo e deixando que a música conduzisse o encontro. É justamente esse equilíbrio que torna colaborações desse tipo tão saborosas: duas identidades muito conhecidas se encontram, mas a canção continua falando mais alto.

A comemoração de “Songs in the Key of Life” devolve aos palcos um repertório que permanece atual pela combinação de invenção musical e observação social. O álbum reúne diferentes climas e assuntos, passando pelo amor, pela infância, pela desigualdade e pela vida nas cidades. Ao revisitar esse universo com uma banda numerosa, Wonder reafirma a dimensão coletiva de sua obra.

No encerramento parisiense, porém, bastaram um clássico de 1972, uma guitarra convidada e a cumplicidade entre os dois artistas para criar a imagem mais compartilhável da noite. Stevie Wonder e Lenny Kravitz fizeram de “Superstition” uma ponte viva entre épocas — daquelas que lembram como uma grande música sempre encontra um jeito novo de soar presente.

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