Detonautas transforma sucessos do rock em canções de ninar no segundo álbum para bebês
Banda revisita diferentes fases da carreira em versões instrumentais criadas para acalmar crianças e aproximar novas gerações de seu repertório
Por Conteúdo · 2 min de leitura
O novo volume reúne músicas de momentos distintos da trajetória da banda. Estão no repertório faixas como “Lógica” e “O Retorno de Saturno”, lançadas originalmente no álbum de 2008, além de “Rádio Love Nacional” e “Fim da Encruzilhada”, do trabalho mais recente do grupo. A proposta não é simplesmente diminuir o volume das versões conhecidas. As canções ganham outra atmosfera, sem vocais, com timbres suaves e andamento preparado para um momento de descanso.
A origem desse lado infantil do Detonautas é familiar. O guitarrista Renato Rocha começou a testar os primeiros arranjos quando sua filha, Marina, ainda era bebê. Ela acompanhava o pai no estúdio caseiro e acabou se tornando uma espécie de termômetro espontâneo das gravações: quando dormia, o músico entendia que o caminho funcionava; quando permanecia acordada, o arranjo voltava para a bancada.
Esse processo resultou no primeiro “Detonautas Para Bebês”, lançado em dezembro de 2014. O álbum apresentava releituras de músicas muito ligadas à memória afetiva do público, entre elas “Você Me Faz Tão Bem”, “Olhos Certos”, “Outro Lugar”, “O Amanhã” e “Quando o Sol Se For”. Com o passar dos anos, fãs que cresceram ouvindo a banda começaram a ter filhos e pediram uma continuação.
O segundo volume também nasceu em meio a novas crianças na família de Renato. O guitarrista ganhou afilhadas e espera a chegada de um sobrinho até o fim de 2026. Ele assumiu todas as etapas de produção musical do disco, incluindo gravação, mixagem e masterização, realizadas durante o inverno deste ano.
Ao revisitar seu catálogo dessa maneira, o Detonautas cria uma ponte curiosa entre duas fases da vida. As melodias que acompanharam a adolescência e a juventude de parte do público agora podem aparecer na rotina de seus filhos, com outra textura e outra função. O rock continua reconhecível, mas chega em forma de aconchego.