Milton Nascimento ganha mural de 1.600 metros quadrados no centro de Belo Horizonte
Retrato mostra Bituca no início da carreira e nos dias atuais, levando a história do cantor para uma das avenidas mais movimentadas da capital mineira
Por Conteúdo · 3 min de leitura
A pintura é assinada por Kaká Chazz, nome artístico de Cassiano H. Candido. O artista visual já havia produzido outras homenagens a Milton e voltou ao universo de Bituca para transformar uma lateral inteira do edifício em memória pública. Nas redes sociais, o cantor celebrou o resultado com uma frase simples e cheia de afeto: agora, Bituca está tomando as ruas de Belo Horizonte.
O trabalho integra a 20ª edição do projeto Fábrica de Graffiti. A iniciativa usa grandes paredes urbanas para aproximar arte e população e já contribuiu para a formação de mais de 800 artistas. Ao escolher Milton como personagem desta edição, o coletivo também reforça a relação profunda entre o músico e Minas Gerais.
Essa ligação aparece no próprio conceito do mural. O jovem artista que começou a construir sua trajetória e o Milton de hoje dividem a mesma parede, como se a cidade acompanhasse, de uma só vez, diferentes momentos de uma vida dedicada à música. A imagem também conversa com a capacidade que Bituca teve de alcançar o mundo sem romper os laços com o lugar onde sua obra ganhou forma.
O coletivo responsável pela ação resumiu esse sentimento ao lembrar que Milton conquistou reconhecimento internacional sem deixar Minas para trás. A obra celebra a carreira do cantor e, ao mesmo tempo, marca as duas décadas de atividade do Fábrica de Graffiti, projeto baseado no encontro entre artistas, cidades e pessoas.
A homenagem chega menos de um ano depois de outra distinção importante em Belo Horizonte. Em dezembro de 2025, a Universidade Federal de Minas Gerais concedeu a Milton Nascimento o título de Doutor Honoris Causa. A proposta partiu da Escola de Música da UFMG dentro das comemorações de seu centenário.
Na avaliação que sustentou a honraria, a universidade destacou a contribuição do músico para a cultura, a identidade brasileira e a identidade mineira. Agora, esse reconhecimento acadêmico ganha uma tradução visual e aberta: não é preciso entrar em uma sala de concerto, abrir um disco ou visitar uma galeria. Basta passar pela avenida Álvares Cabral e olhar para cima.
O mural transforma um edifício em ponto de lembrança e faz de Milton Nascimento um vizinho permanente de quem circula pelo centro. Para Belo Horizonte, é uma maneira de devolver à cidade um pouco da beleza que a música de Bituca espalhou pelo mundo.