Filme sobre “Alucinação”, de Belchior, estreia na Mostra de São Paulo
Longa toca o álbum de 1976 na íntegra e combina as canções com imagens do país; primeiras sessões acontecem nos dias 26 e 28 de outubro.
Por Conteúdo · 3 min de leitura
Dirigido por Renato Terra, Marcos Caetano e Leo Caetano, o longa terá duas sessões na programação. A primeira será na segunda-feira, 26 de outubro, às 18h, no CineSesc. A segunda acontece na quarta-feira, 28, às 13h, no Cinesystem Belas Artes, sala Frei Caneca 1. A estreia coincide com uma data simbólica: Belchior, morto em 2017, completaria 80 anos em 26 de outubro.
O ponto de partida é o Brasil dos anos 1970, período de repressão política, transformações culturais e sonhos coletivos que atravessam o álbum. Em vez de tratar as músicas como simples trilha sonora, o filme as coloca no centro. As imagens dialogam com cada composição e procuram ampliar questões que Belchior lançou há meio século sobre juventude, liberdade, consumo, desencanto e desejo de mudança.
Os diretores chegaram ao formato depois de ouvir o disco repetidamente. Para eles, “Alucinação” já carregava um roteiro: a crônica de uma geração que quis mudar o mundo, enfrentou ditaduras e também viu parte de seus ideais ser absorvida pelo dinheiro. O longa recupera esse ambiente, mas não o fecha no passado. A intenção é aproximar os conflitos daquela época das perguntas que o Brasil continua fazendo hoje.
O repertório dá dimensão ao desafio. Estão no álbum canções como “Como Nossos Pais”, “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, “Velha Roupa Colorida” e “Sujeito de Sorte”. Juntas, elas formam uma sequência em que a voz pessoal do compositor encontra dilemas de uma geração inteira. Cinquenta anos depois, versos sobre resistência, medo, esperança e inconformismo seguem circulando em shows, filmes, manifestações e novas gravações.
A produção é de Carolina Benevides e Marianna Brennand, da Inquietude, responsáveis pelo premiado “Manas”. Ao escolher a Mostra de São Paulo para a estreia, o projeto chega primeiro a um público habituado a encontrar no cinema brasileiro novas maneiras de olhar para a memória do país.
“Alucinação” completa 50 anos em 2026 sem parecer uma peça de museu. A chegada do filme reforça justamente essa vitalidade: as canções continuam abertas, prontas para receber outras imagens e conversar com ouvintes que nem eram nascidos quando o disco apareceu. Na tela, a obra de Belchior volta a perguntar que país construímos desde então — e quanto ainda existe de novo, jovem e urgente naquele velho som.