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Primeiro álbum do Capital Inicial completa 40 anos com clássicos do rock nacional

Lançado em 1986, trabalho reuniu pós-punk, guitarras e letras urbanas em canções que continuam no repertório da banda

Por Conteúdo · 3 min de leitura

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Foto: Divulgação
Quarenta anos depois, o primeiro álbum do Capital Inicial ainda soa como uma fotografia elétrica de uma geração. Lançado em 1986, o disco que leva o nome da banda reuniu guitarras intensas, influência do pós-punk e letras urbanas em 11 faixas. Ali estava a base de uma identidade que atravessaria décadas, palcos lotados e mudanças de formação sem perder a ligação com o público.

O trabalho chegou pela PolyGram e teve produção de Bozo Barretti, que também participou das gravações no piano e nos teclados. Naquele momento, o grupo já vinha testando parte do repertório em shows desde sua formação, em Brasília, em 1982. O estúdio organizou essa energia e deu acabamento a um conjunto de músicas que logo deixaria de pertencer apenas à cena brasiliense.

“Música Urbana”, “Leve Desespero”, “Fátima”, “Veraneio Vascaína”, “No Cinema” e “Sob Controle” estão entre as faixas mais lembradas. Algumas nasceram no repertório do Aborto Elétrico, banda que antecedeu o Capital Inicial e também revelou Renato Russo. Essa origem compartilhada ajuda a explicar por que o álbum ocupa um lugar central na história do rock brasileiro dos anos 1980: suas canções carregam uma cidade, um tempo e uma inquietação coletiva.

A formação que entrou em estúdio tinha Dinho Ouro Preto nos vocais, Loro Jones na guitarra e no violão, Flávio Lemos no baixo e Fê Lemos na bateria. Bozo Barretti acrescentou teclados e piano, e “Música Urbana” recebeu ainda um naipe de metais. O resultado não suavizou o impulso da banda. Pelo contrário, deu novas cores a um som direto, capaz de equilibrar urgência juvenil e refrões feitos para sobreviver ao tempo.

O reconhecimento histórico veio de várias formas. O álbum entrou na “Discoteca Básica”, seleção dos 500 maiores discos da música brasileira, e continuou presente no repertório de quem conheceu o Capital Inicial muito depois de 1986. Para muitos ouvintes, essas músicas chegaram primeiro pelo rádio, por regravações ao vivo ou por shows; só depois veio a descoberta do disco que reuniu tudo no começo.

A banda celebra esse legado também na estrada. A turnê “Música Urbana” já soma mais de 40 apresentações confirmadas e passa por cidades e festivais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Petrolina, Bauru e Lavras. O repertório combina faixas do primeiro álbum, sucessos de outras fases e músicas recentes, mostrando que a comemoração não precisa transformar a carreira em peça de museu.

Completar quatro décadas é olhar para trás sem interromper o movimento. O Capital Inicial continua subindo ao palco com as mesmas canções que ajudaram a definir sua linguagem, agora cantadas por públicos de idades diferentes. O disco de estreia envelheceu; sua inquietação, não.

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